segunda-feira, 18 de junho de 2012

Visagismo


   Um dos meus programas de televisão favoritos é o “Esquadrão da Moda”, no SBT. Nele algum parente/amigo/chefe pede uma consultoria profissional para um conhecido, pois o mesmo não se veste bem ou escolhe peças erradas em diversas situações. Mas não só isso, todas as pessoas acabam passando por uma transformação interna e externa através de suas roupas, cabelo e maquiagem, que acaba também transformando sua personalidade e atitudes. E nessa consultoria entra o Visagismo (além da consultoria de moda e estilo).
   Visagismo vem da palavra francesa Visage que significa rosto.
  "Estudar o rosto é desnudar a face, reconhecendo através da linguagem visual as estruturas ósseas, musculares, cartilagens e pigmentos que mapeiam todas as particularidades de cada indivíduo, ou seja, sua identidade, os pontos fortes e os pontos não tão agradáveis a apreciação” (HALLAWELL, 2004). Para o idealizador da técnica de visagismo, o maquiador e cabeleireiro francês Fernand Aubry, a beleza é a expressão das qualidades interiores e os profissionais da estética deverão adequar com harmonia estas expressões com procedimentos que revelem belezas desconhecidas (HALLAWELL, 2004).
   Segundo o renomado professor Philip Hallawell o visagismo visa definir uma identidade pessoal. Ajuda a pessoa a descobrir o que ela deseja expressar com a sua imagem. (BARK, 2012).
   Para entender o indivíduo como um todo é imprescindível que se conheça o(s) temperamento(s) que o mesmo apresenta.
   "A palavra temperamento significa "mistura de proporções" é o que define as reações de cada pessoa em relação à vida, frente aos seus obstáculos e bem como às suas graças" (PINTO, 2011 apud DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012).
   O Visagismo utiliza principalmente os temperamentos citados por Galeno, médico e filósofo romano de origem grega, que trata da utilização de quatro humores: sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático. (SILVA, 2011 apud DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012). Os mesmos são utilizados pela Medicina Antroposófica.
   Entretanto, nada impede que se faça uso de outros saberes, como o da Medicina Tradicional Chinesa (que utiliza os 5 elementos para entender o ser humano: madeira, fogo, terra, metal e água) ou a Medicina Tradicional Ayurveda, que propõe 3 tipos chamados Kapha, Pitta e Vatta.
   As pessoas, de uma maneira geral, apresentam um desses aspectos como o principal e outro como secundário. Entretanto, existem casos de pessoas que são um único tipo ou outras que apresentam três tipos. Encontrar uma pessoa que tenha os quatro tipos é bastante raro, mas não é descartada essa hipótese.
   "Cada tipo facial exterioriza através dos traços faciais sua imagem e é esta imagem que conta para o mundo, como a pessoa é e como ela gosta de ser tratada". (SILVA, 2011 apud DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012).
   Para as mesmas autoras, hoje em dia a busca para aliar estética a personalidade de cada indivíduo é grande, pois há uma tentativa de responder algumas inquietações contemporâneas como a insatisfação com a imagem visual, a baixa autoestima, a falta de aceitação da sociedade por uma beleza não enquadrada nos padrões.
   Segundo Philip Hallawell (especialista em visagismo) e Sérgio Luiz (médico) “cada face exterioriza seus sentimentos, através do registro marcado por suas linhas de expressão e pelos elementos que correspondem cada forma geométrica, com o temperamento predominante". (DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012)
   Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, tentou descobrir como as características faciais de 73 gestores dos principais escritórios de advocacia dos Estados Unidos podem estar relacionadas ao sucesso de uma companhia. Eles descobriram que a combinação entre um rosto com formato angular, ossos da face proeminentes, maxilar grande, olhar profundo e sobrancelhas com curvatura marcante podem estar por trás do sucesso de uma companhia.
   Para chegar a esses resultados, eles escolheram 67 pessoas para analisar as fotos (atuais e da formatura) de 73 sócios dos principais escritórios de advocacia dos Estados Unidos. “Elas deveriam julgar critérios como características que representavam dominância, maturidade facial, aptidão e confiança. Os resultados mostraram que pessoas com traços faciais que denotavam poder tendem a ter carreiras mais bem sucedidas nas culturas ocidentais”. (ABRANTES, 2012).
   Claro que os pesquisadores não estão dizendo que somente pessoas com esses traços são bem sucedidas, mas que o fato da pessoa passar uma imagem de poder (intencionalmente ou não) pode influenciar a opinião das pessoas ao seu redor (pois nossa imagem sempre passa uma mensagem, mesmo que não tenhamos noção disso).
   "Convém saber que não é somente por meio do formato do rosto que se reconhece o temperamento de uma pessoa. Outra forma de identificar os temperamentos é analisar as ações, hábitos, ritmo de vida de cada indivíduo, bem como suas peculiaridades". (MARTINEZ, 1997 apud DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012).
   É responsabilidade do profissional entender o cliente como sujeito único, que procura uma imagem visual que harmonize com seu biótipo, estrutura física, temperamento, personalidade, idade, estado civil, estilo de vida, profissão, identificando suas necessidades, prioridades, desejos, valores e princípios, a fim de que a pessoa reflita sobre si mesma e o profissional possa “construir” uma estética que entenda suas características, evidenciando o que há de melhor na pessoa e valorizando a sua beleza. (DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012; BARK, 2012).
   Devemos lembrar que nem sempre é fácil realizar mudanças em nossa vida, pois "nossos modelos mentais limitam novas possibilidades de opções. Fazer novas opções é sempre doloroso, principalmente quando isso requer abandonar ou reestruturar caminhos não trilhados". (SENGE, 1990 apud DUARTE; REDLICH; THIVES, 2012).
   Entretanto, uma mudança no corte ou cor dos cabelos, no design das sobrancelhas, a cor de maquiagem certa, entre outros pode sim passar uma mensagem diferente daquela que você tem passado nos últimos anos, gerando mudanças positivas e significativas em sua vida.


Referências

ABRANTES, Talita. Formato do rosto pode influenciar sucesso profissional, diz pesquisa: estudo sugere que é possível mensurar o grau de rentabilidade de uma empresa a partir das fotos dos gestores durante a formatura na faculdade. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/formato-do-rosto-pode-influenciar-sucesso-profissional-diz-pesquisa?page=1&slug_name=formato-do-rosto-pode-influenciar-sucesso-profissional-diz-pesquisa>. Acesso em 31 maio 2012.

BARK, Mari. Visagismo: transmissão de mensagem por intermédio da sua imagem facial. Disponível em: <http://www.blogdamaribark.com.br/2012/05/visagismo-transmissao-de-mensagem-por.html>. Acesso em: 31 maio 2012.

DUARTE, Bruna T. B., REDLICH, Camila, THIVES, Fabiana. A influência dos elementos da Astrologia, do Visagismo e da Teoria de Hipócrates na Estética. Disponível em: <http://siaibib01.univali.br/pdf/Bruna%20Duarte%20e%20Camila%20Redlich.pdf>. Acesso em: 13 maio 2012.

HALLAWELL, Philip. Os Benefícios do Visagismo para o Profissional de Beleza. Disponível em: <http://www.visagismo.com.br/index.php/93-artigos/140-os-beneficios-do-visagismo-para-o-profissional-de-beleza>. Acesso em: 31 maio 2012.

HALLAWELL, Philip. Visagismo: Harmonia e Estética. 2. ed. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2004.

HALLAWELL, Philip. Visagismo Integrado: identidade, estilo e beleza. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2009.

ITO, Patrícia do Carmo Pereira; GUZZO, Raquel Souza Lobo. Diferenças individuais: temperamento e personalidade - importância da teoria. Rev. Estudos de Psicologia, Campinas - São Paulo, v. 19, n. 1, p. 91-100, jan./abr. 2002.

LUNELLI, Carla. Linguagem visual aplicada à moda: beleza e estilo. 2009. 109 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Bacharelado de Moda - Habilitação em Estilismo) - Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2009.

SILVA, Sérgio Luiz Marcussi Vitor da. A Medicina a Luz do Visagismo. Disponível em:<http://novo.clinicaperformance.com.br/userupload/432/File/visagismo%20e%20Medicina_web.pdf>. Acesso em: 17 maio 2012.

TORRI, Alexandra Moreira. et al. O corte de cabelo e a maquiagem e sua relação na
harmonia estética feminina
. Disponível em: <http://www.unifra.br/eventos/sepe2010/2010/trabalhos/humanas/resumo/4625.pdf>. Acesso em: 13 maio 2012.


 Fonte:
Imagem: Studio Liz

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