quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Estética e Imagem corporal – Parte I


   Durante a minha especialização em Estética Facial e Corporal pensei que teríamos alguma disciplina falando sobre Imagem Corporal. Mas com o transcorrer do curso, descobri que não só não teríamos a disciplina, como a maioria das pessoas que trabalham com estética não sabe ou nunca se perguntou como é a Imagem Corporal de seus clientes (e a sua própria Imagem Corporal).
   Motivada por isso, e por descobrir a ausência de disciplinas (em cursos livres, técnicos, tecnólogos e especializações) em que sejam discutidos esses temas sobre as alterações de Imagem Corporal e suas implicações no trabalho da esteticista, realizei uma pesquisa com as minhas alunas (hoje colegas de profissão) para descobrir se elas sabem o que é Imagem corporal, o que pode influenciá-la (positiva ou negativamente), formas de mensurá-la, profissionais habilitados para ajudar pessoas com alteração de imagem corporal, etc.
    Esse é um breve resumo do que foi abordado nessa pesquisa e espero que seja uma forma de pensarmos e refletirmos sobre como a nossa imagem corporal pode modificar a nossa vida, de inúmeras formas.

   A imagem corporal é a representação mental de nosso próprio corpo, a maneira como ele é percebido pelo indivíduo. Abrange o que percebemos através de nossos sentidos, nossas ideias e sentimentos referentes ao próprio corpo, muitas vezes de forma inconsciente. (SCHILDER, 1999 apud CAMPAGNA; SOUZA, 2006).
   Segundo Thompson et al (1999) citado por Damasceno et al (2006, p.82) “a utilização do termo imagem corporal seria uma maneira de padronizar os diferentes componentes que integram a imagem corporal”. São eles: percepção do tamanho do corpo, satisfação com o peso, avaliação da aparência, satisfação corporal, estima corporal, orientação da aparência, padrão de corpo, corpo ideal, percepção corporal, esquema corporal, desordem de imagem corporal, distorção corporal, entre outras.
   A Imagem corporal acaba sendo construída e modificada a partir de diversas relações que mantemos com vários aspectos de nossa vida; pode ser alterada por nossos sentimentos, nossa visão, nossa cinestesia/propiocepção entre outros.
   Nossa Imagem corporal sofre modificações ao longo de nossas vidas, em cada fase nos deparamos com uma ou mais imagens do nosso corpo. Na infância, nos vemos de um jeito, na adolescência passamos a nos encarar de outra forma. Com o amadurecimento, modificamos novamente a forma como nos enxergamos. As mulheres sofrem uma modificação a mais que os homens, no período em que são gestantes.
   Há sete afirmações que melhor englobam o conceito de Imagem corporal, de acordo com Cash e Pruzinsky (1990) citados por Barros (2005). São elas:
   1 – A Imagem corporal é subjetiva. Diz respeito aos pensamentos, sentimentos e percepções sobre o corpo e suas experiências;
   2 – As mudanças na Imagem corporal podem ocorrer em várias dimensões, ou seja, é multifacetada;
   3 – A maneira como vivenciamos e percebemos nossos corpos diz muito sobre como percebemos a nós mesmos. Assim, as experiências da Imagem corporal são envoltas por sentimentos sobre nós mesmos;
   4 – A Imagem corporal é determinada socialmente e suas influências perpetuam-se durante toda a vida;
   5 – Nossa experiência corporal pode sofrer constante mudança, ou seja, não é estática nem fixa;
 6 – O modo como pensamos e sentimos nosso corpo influencia como percebemos o mundo, sugestionando-nos a ver o que queremos ver;
   7 – A Imagem corporal influencia o comportamento, principalmente as relações interpessoais.
   
   Para Thompson (1996) citado por Saikali et al (2004), há três componentes envolvidos com o conceito de Imagem corporal:
   - Subjetivo: diz respeito aos aspectos como nível de ansiedade e preocupação associada à aparência e grau de satisfação com a mesma;
   - Perceptivo: está relacionado com a estimativa do peso e tamanho corporal e a precisão da percepção da própria aparência física;
  - Comportamental: engloba as situações que a pessoa evita por sentir desconforto com relação a sua Imagem corporal.

   “Ter uma boa aparência não significa ter uma imagem corporal positiva. A imagem corporal é, na verdade, um estado de espírito”. (CASTILHO, 2001, p.29).
   A Imagem corporal é a nossa totalidade como seres humanos. É conseguirmos nos olhar de maneira interna e externa ao mesmo tempo, entendendo que cada esfera de nossa vida provoca modificações e é transformada também pelas outras. Nada na nossa vida/corpo é isolado, tudo se relaciona e provoca transformações. (LOCH; STEIN, 2012).
   Para Serra (2009) a ilusão das imagens utilizadas em televisão, revistas e outras mídias em geral, faz com que as pessoas se comparem umas com as outras, o que acaba levando a padronização de modelos de corpo, gerando, dessa forma, uma maior preocupação com a pele e com o corpo.
  Atualmente o aumento da insatisfação com o corpo e o excesso de preocupação com a aparência, principalmente com o peso, tem sido abordado em muitos estudos científicos. Entende-se que a preocupação com o peso é resultado da internalização de padrões irreais de beleza, e que muitas vezes, pode predispor as garotas adolescentes e mulheres jovens à depressão. (CAMPAGNA; SOUZA, 2006).
   “Estudos científicos mostram que quanto mais as pessoas investem na aparência, mais vulneráveis se tornam a uma imagem corporal negativa e aos incômodos a ela relacionados”. (CASTILHO, 2001, p.29).
Ao mesmo tempo, investigações epidemiológicas vêm mostrando um considerável aumento, nos últimos tempos, de pessoas acometidas por Transtornos Dismórficos Corporais em que é crescente a insatisfação corporal. (BALLONE, 2004 apud RUSSO, 2005).
   Esse aumento das patologias relacionadas a uma Imagem Corporal distorcida fica evidente quando fazemos uma busca nos veículos da mídia sobre esses assuntos. É cada vez mais comum abordarem essas patologias em revistas, filmes, novelas, livros, artigos científicos, entre outros.
   Para quem se interessar, assista ao filme “Cisne Negro” (esse filme é sensacional e podemos fazer conexões com várias coisas, mas aqui foco mais no aspecto da Imagem Corporal, que é o assunto desse post). A personagem parece apresentar Anorexia (que é um dos transtornos ligados a imagem corporal) tendo um tipo de relacionamento com o seu corpo, ao mesmo tempo que quando entra em contato com a sua sexualidade ela se vê de uma forma completamente diferente e começa a dar vazão ao seu lado B (o cisne negro). Apresenta também uma busca obsessiva pela perfeição que também está atrelada aos distúrbios dismórficos corporais.
    Outro filme para refletirmos é “Nunca é tarde para amar”, ele poderia ser encarado como simplesmente um filme de comédia romântica, mas se você estiver atento pode pensar a respeito da estética e idade. Quantas vezes já pensamos que precisamos melhorar nosso corpo/face porque a idade está “avançando”, através da nossa alimentação, exercício físico, cirurgia plástica, etc.. e muitas vezes nem queremos, mas a "sociedade" nos impõe...
   Na contramão, temos uma campanha da Dove intitulada “Real Beleza” (umas das imagens da campanha está no início do post), em que aparecem mulheres de diversos biótipos, tipos e cores de pele e cabelos, com manchas, com rugas, com “pneuzinho”... enfim, múltiplas belezas diferentes e belezas reais, sem a utilização de photoshop.

   O assunto é extenso, então amanhã tem a continuação do post...


Referências

BARROS, Daniela Dias. Imagem corporal: a descoberta de si mesmo. Rev. História, Ciências, Saúde, Manguinhos, SP, v. 12, n. 2, p. 547-54, maio - ago. 2005.

CAMPAGNA, Viviane Namur; SOUZA, Audrey Setton Lopes. Corpo e imagem corporal no início da adolescência feminina. Boletim de Psicologia, São Paulo, v.56, n.124, p.9-35. [s.d], 2006.

CASTILHO, Simone Mancini.  A imagem corporal.   Santo André, SP: Ed. ESETec, 2001. 96 p.

DAMASCENO, V .O. et al.  Imagem corporal e corpo ideal. Rev. bras. Ciência e Movimento. [s.l] v. 14, n.2, p. 81-94, 2006.

LOCH, Juliana Maria; STEIN, Lucilaine Regina. Tipos de conhecimento e habilidades de estudantes do curso técnico em estética sobre imagem corporal.  2012. 27f. Artigo (Especialização Latu Senso em Estética Facial e Corporal) - Universidade do Vale do Itajaí, Florianópolis, 2012.

RUSSO, Renata. Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Rev. Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, p. 80-90, jan.- jun. 2005.

SAIKALI, Carolina Jabur. et al.  Imagem corporal nos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. [online], São Paulo, v.31, n.4, p. 164-166, 2004.

SERRA, Andréa. Transtorno dismórfico corporal . In: KEDE, Maria Paulina Villarejo; SABATOVICH, Oleg.  Dermatologia estética.   2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ed. Atheneu, 2009. p. 495-500.

Fonte:
Imagem: Google Imagens

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