sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Estética e Imagem corporal – Parte II


   Muitos são os fatores que podem influenciar a Imagem corporal. Desde o período de vida em que nos encontramos, idade, passando pelas influências sociais, mídia, diferença de gêneros, cultura em que estamos inseridos até poder aquisitivo. Tudo o que envolve nossas vidas acaba por influenciar a maneira como nos enxergamos, como achamos que os outros nos enxergam e como gostaríamos de nos enxergar. (LOCH; STEIN, 2012).
   Campagna e Souza (2006) elucidam que mudanças corporais acarretam em distorções na autoimagem e cada época possui seus padrões de beleza, mas provavelmente eles nunca tenham sido tão inflexíveis quanto hoje em dia, promovendo grande afastamento entre o corpo vivido e o idealizado, empobrecendo psiquicamente os sujeitos.
   Para comprovar essa idéia, basta conversar com algumas mulheres (de diferentes faixas etárias). Grande parte delas irá relatar que seu modelo de beleza é ter a boca de determinada atriz, o corpo de tal modelo, gostaria de ter o cabelo daquela cantora – montando um frankstein utópico, que acaba por gerar frustração e uma Imagem corporal negativa.
   Passando da adolescência para a vida adulta, as mulheres, de forma geral, possuem várias preocupações com relação a sua Imagem corporal. Tem pensamentos sobre emagrecer mais, pois tem medo de ganhar peso. A insatisfação com a forma física e a visão distorcida do tamanho do seu corpo podem motivar alguns dos comportamentos distorcidos como uso de diuréticos e laxantes, indução de vômito, jejum, etc). Da mesma forma, podem adotar atitudes negativas em relação ao seu corpo, como ter vergonha do mesmo, excluindo certar roupas e evitar ir à piscina ou à praia para evitar usar roupas de banho. (RUSSO, 2005).
   Para Tiggermann, Weinshenker, Thomson, Smolak e Levine, Dolan, Birtchnell e Lacey (citados por Damasceno et al, 2006) a Imagem corporal negativa está relacionada a depressão, ansiedade, baixa autoestima e tendências obsessivas compulsivas com relação a exercícios físicos e alimentação.
   É a partir dessa visão que essas doenças progridem e se agravam, prejudicando fisicamente os acometidos. Porém, a distorção da imagem pode estar ligada à Depressão, Ansiedade e ao Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, gerando (ou não) quadros de Fobia social.
   Todos os aspectos em nossa vida acabam por influenciar nossa Imagem corporal; em maior ou menor grau, dependendo de nossa história de vida, de nossas preferências, de nossos traumas entre outros.
   Algumas teorias subjetivas desenvolvimentistas dão ênfase a eventos ocorridos na infância e adolescência como desencadeantes de distúrbios na Imagem corporal. (FERREIRA; LEITE, 2005). Dessa forma, o período da puberdade, é um fator importante na formação da Imagem corporal, uma vez que ocorrem mudanças físicas e psicológicas.
   Campagna e Souza (2006) relatam sobre uma pesquisa da Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, que comprova que 80% das meninas não gostam de sua aparência e 50% buscam dietas porque se acham gordas.
   A cultura também influencia de maneira diferente meninos e meninas. Enquanto as garotas são estimuladas a praticarem atividade física pela estética, os garotos são estimulados a praticar esportes pela parte lúdica. (CONTI; GAMBARDELLA; FRUTUOSO, 2005). Essa diferença social provavelmente afeta os padrões pessoais estético de ambos os sexos.
   De acordo com Stice (2002) citado por Saikali et al (2004), há evidências de que a mídia promove distúrbios alimentares e de Imagem corporal. Analisando modelos e atrizes, vêm se observando que as mesmas estão mais magras se comparadas à década passada. Indivíduos com transtornos alimentares se sentem pressionados pela mídia para serem esbeltos e acabam utilizando métodos não-saudáveis de controle de peso, aprendidos nos próprios meios de comunicação.
   As diferenças de classes sociais também influenciam nossa Imagem corporal. Enquanto mulheres da classe média/alta têm dinheiro para investir em academia, nutricionista, cremes, tratamentos estéticos, SPA’s; as de classes menos favorecidas cuidam do seu corpo levantando sacos de feijão ou descendo algumas paradas antes do ponto para chegar ao trabalho. (NOVAES, 2011 apud ROCHA, 2011).
   Em um estudo realizado por Parnell et al. (citado por DAMASCENO et al, 2006), verificando o ideal corporal de mulheres brancas e negras através de silhuetas, as mulheres brancas ansiavam uma silhueta menor, enquanto as negras aprovavam uma maior. O que nos faz pensar que a cultura em que essas mulheres estão inseridas influi no padrão de beleza que seguem.
   Da mesma forma que esses fatores podem influenciar positivamente o indivíduo a se cuidar, através de hábitos de vida saudáveis, também se mal interpretados, podem gerar grande sofrimento, com a possibilidade de desencadear alguma patologia relacionada à alteração de Imagem corporal. (LOCH; STEIN, 2012).

   Segunda-feira tem a última parte do assunto!


Referências

CAMPAGNA, Viviane Namur; SOUZA, Audrey Setton Lopes. Corpo e imagem corporal no início da adolescência feminina. Boletim de Psicologia, São Paulo, v.56, n.124, p.9-35. [s.d], 2006.

CONTI, Maria A.; GAMBARDELLA, Ana M. D.  e  FRUTUOSO, Maria F. P. Insatisfação com a imagem corporal em adolescentes e sua relação com a maturação sexual. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum. [online]. São Paulo, v.15, n.2, p.36-44, ago. 2005.

DAMASCENO, V .O. et al.  Imagem corporal e corpo ideal. Rev. bras. Ciência e Movimento. [s.l] v. 14, n.2, p. 81-94, 2006.

FERREIRA, Maria Cristina;  LEITE, Neíse Gonçalves de Magalhães. Adaptação e validação de um instrumento de avaliação da satisfação com a imagem corporal. Aval. psicol. [online], Rio de Janeiro, v.1, n.2, p. 141-149, nov.2002.

LOCH, Juliana Maria; STEIN, Lucilaine Regina. Tipos de conhecimento e habilidades de estudantes do curso técnico em estética sobre imagem corporal.  2012. 27f. Artigo (Especialização Latu Senso em Estética Facial e Corporal) - Universidade do Vale do Itajaí, Florianópolis, 2012.

ROCHA, Patrícia. Corpos em contraste. Diário Catarinense, Florianópolis, 6 mar. 2011. Donna, p. 12-13.

RUSSO, Renata. Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Rev. Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, p. 80-90, jan.- jun. 2005.

SAIKALI, Carolina Jabur. et al.  Imagem corporal nos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. [online], São Paulo, v.31, n.4, p. 164-166, 2004.


Fonte:
Imagem: Google Imagens

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