Mostrando postagens com marcador imagem corporal distorcida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador imagem corporal distorcida. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Você é mais bonita do que pensa!

(Fonte imagem: Grandes Mulheres)


  Você sabia que apenas 4% da população feminina mundial se considera bonita?! Isso é um número bastante preocupante, não acham?!
  Já comentei com vocês sobre os fatores envolvidos em nossa imagem corporal (quem não não leu, clica aqui). A Dove, desde 2005 (se não estou enganada), está engajada em nos fazer refletir e questionar sobre nossa imagem corporal e autoestima e, mais uma vez, nos dá um tapa na cara com a sua nova campanha intitulada "Você é mais bonita do que pensa".
  Essa campanha está bombando no facebook/youtube e nele, um homem que faz retratos para o FBI desenha o rosto de mulheres (que ele não vê) baseado na descrição que elas fazem de si mesmas e depois, uma pessoa que elas não conhecem, a descrevem também para um segundo retrato. A comparação entre os dois é alarmante. O retrato baseado no que a própria pessoa relata de si geralmente mostra uma pessoa triste, com alguma alteração inestética (como olheiras e rugas), semblante fechado, enquanto o retrato feito baseado no relato de um estranho mostra pessoas mais felizes, sem tantos defeitos... nos fazendo refletir que muitas vezes, nossa autoimagem pode ser muito crítica e equivocada.

  Se você ainda não viu os vídeos da campanha, clica aqui.

  Tem uma música (I Feel Pretty/Unpretty) que diz num trecho:

"[...] Olhe no espelho, quem está lá dentro?
Aquela com cabelo comprido
A mesma velha eu de novo
A minha aparência é legal
O meu interior é triste [...]
[...]Você pode comprar seu cabelo se ele não crescer
Você pode corrigir o nariz se alguém mandar
Você pode comprar toda a maquiagem
Que a M. A. C. pode fazer
Mas se você não puder olhar para dentro de você
E descobrir quem eu sou também
Estar na posição de me fazer sentir
Tão feia [...]
[...]Eu me sinto bonita
Mas tão feia!"

  Ou seja, mesmo sendo bonita uma pessoa pode se sentir feia simplesmente por estar passando algum momento difícil da vida, ou por se sentir triste/deprimida (vocês lembram que nossa imagem corporal pode mudar de acordo com diversos fatores, inclusive com o nosso humor?!).

  Enfim, a mensagem desse post (e que a campanha Dove nos faz lembrar) é: questione-se, reflita, pondere sobre sua autoimagem e finalmente... ame-se! Afinal: você é mais bonita do que pensa!


(Fonte imagem: Mulher Poderosa)


 Vários blogueiros tem se manifestado (e desabafado) com relação ao uso exacerbado de photoshop em fotografias e questionado sua própria imagem corporal e autoestima.


* Relatos de blogueiross:
 - Lia Camargo (do Just Lia)
 - Fernanda (do Fake-doll)
 - Brunna Ricelly (do Achados da Brunna)
 - Marcus Pessoa (do Marcus Pessoa: Redes Sociais, Branding, Design):  aqui fala mais a questão da jogada de publicidade, mas achei interessante;


* Relatos sobre as campanhas antigas da Dove sobre o mesmo tema:
 - Luciana Sabbag (do Luciana Sabbag)
 - Sabrina Olivetti (do Coisas de Diva)
 - Victoria (do Borboletanto)
 - Pedro Américo (do Ocrepúsculo: cultura pop, opinião, nada de vampiros):  visão de um publicitário sobre a propaganda da Dove.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Estética e Imagem corporal – Parte III


   Há documentados numerosos instrumentos para avaliar e mensurar os distúrbios de Imagem corporal.  Esses instrumentos são costumeiramente classificados em duas grandes categorias: medidas subjetivas e medidas perceptuais. (THOMPSON, 1996 apud FERREIRA; LEITE, 2002).
   As primeiras relacionam-se com a avaliação de aspectos cognitivos, atitudinais e afetivos subjacentes à Imagem corporal. Algumas escalas se preocupam em mensurar o grau de satisfação com partes específicas do corpo, enquanto outras fazem a avaliação do grau de satisfação global ou genérica com o corpo, aparência ou o peso. Já as perceptuais avaliam a precisão da estimativa do tamanho do corpo, ou seja, as distorções perceptuais.
   Geralmente utiliza conjunto de silhuetas ou de fotografias que são apresentadas à pessoa, sendo solicitado que ela escolha a mais próxima ao seu tamanho. Quanto maior for a discrepância entre o tamanho real do indivíduo e a diferença entre a estimativa realizada, maior será a distorção perceptual que ele mantém em relação a seu próprio corpo. (FERREIRA; LEITE, 2002).
   As formas de avaliação da Imagem Corporal são bastante amplas e podem ser definidas de acordo com a atuação do profissional que está tratando determinado cliente. As mais comuns são: questionário, desenho, entrevista, escala de áreas corporais e desenho de silhuetas.
   “O Índice de Massa Corporal não é considerado um instrumento de avaliação da Imagem Corporal [...], pois não trata de todos os fatores subjetivos relacionados a tal tema. Entretanto, pode ser utilizado para conscientizar anoréxicos e obesos de suas condições de saúde e mostrar a evolução ou regressão no ganho ou perda de peso”.  (LOCH; STEIN, 2012).
   “Da mesma forma a Antropometria (avaliação com fita métrica) é indicada para se ter noção de redução de medidas, aumento de massa muscular, mas não de avaliar a Imagem corporal do cliente. Por fim, os exames clínicos e laboratoriais também não mensuram a avaliação que fazemos de nosso corpo, sendo apenas acessórios para sabermos o estado de saúde do indivíduo, se ele está com taxas altas de glicose ou apresenta tendência à anemia, entre outros”. (LOCH; STEIN, 2012).
   Quando pensamos em beleza e Imagem corporal, geralmente associamos ao trabalho de uma esteticista, que é uma profissional que vem ganhando cada vez mais destaque na mídia e tem conquistado seu espaço ajudando as pessoas nessa busca pela beleza.
   Se, por exemplo, uma cliente apresenta distorções na sua Imagem corporal torna-se bastante complicado que ela visualize as melhorias conquistadas através do tratamento estético, pois é uma pessoa insatisfeita consigo mesma e muitas vezes poderá projetar no profissional da estética expectativas e frustrações que não dizem respeito a ele.
   Para Azevedo e Caminha (2011) são vários os profissionais da área da saúde especializados em atender as demandas sociais de clientes que desejam possuir corpos belos e saudáveis.
   Dentre as referências pesquisadas, não foi encontrada indicação de quais profissionais estariam capacitados para ajudar uma pessoa com Imagem Corporal Negativa. Entretanto, entende-se que qualquer profissional da área da saúde e/ou beleza está apto a auxiliar nesses casos (mesmo que seja somente para fazer encaminhamento para um profissional mais especializado), desde que o mesmo saiba os conceitos mínimos necessários sobre Imagem Corporal, formas de mensurá-la, patologias relacionadas a uma Imagem Corporal Negativa, etc. O ideal seria a formação de uma equipe transdisciplinar para tratar casos de imagem corporal negativa.
   Em algumas clínicas de estética isso já é possível. Quando o cliente chega para uma avaliação, todos os profissionais irão assisti-lo e irão formular um diagnóstico e um plano de tratamento para essa pessoa.
   “Para que esse diagnóstico seja dado em situação de transdisciplinaridade não basta apenas que cada profissional opine a partir de sua área e, finalmente, um tratamento seja indicado. Para que a configuração transdisciplinar seja alcançada é preciso que esses profissionais, fundamentalmente, estejam reciprocamente situados em sua área de origem e na área de cada um dos colegas”. (IRIBARRY, 2002 apud IRRIBARRY, 2003, p. 484).
   É importante que os próprios profissionais se questionem sobre sua Imagem corporal e a tenham bem desenvolvida, pois se existir a aceitação do seu corpo, tendo consciência das manifestações corporais e seus significados, esses profissionais reconhecerão facilmente o espaço do outro, serão mais flexíveis em suas relações e conseguirão auxiliar no processo de seus clientes. (TAVARES, 2003 apud RUSSO, 2005). Um profissional que se conhece e se aceita poderá auxiliar o seu cliente a se conhecer e se aceitar também (LOCH; STEIN, 2012).

   Espero que a leitura tenha feito você refletir sobre como é a sua Imagem Corporal e como isso pode estar influenciando (positiva ou negativamente) a sua vida...


Referências


AZEVEDO, Andréa Maria Pires; CAMINHA, Iraquitan de Oliveira. Estetização da saúde e dismorfia muscular: concepções sociais do corpo. Rev. ConScientiae Saúde, v.10, n.3, p.530-538, 2011. Disponível em: <http://www4.uninove.br/ojs/index.php/saude/article/viewFile/2708/2037>. Acesso em: 18 out. 2011.

FERREIRA, Maria Cristina;  LEITE, Neíse Gonçalves de Magalhães. Adaptação e validação de um instrumento de avaliação da satisfação com a imagem corporal. Aval. psicol. [online], Rio de Janeiro, v.1, n.2, p. 141-149, nov.2002.

IRRIBARRY, Isac Nikos. Aproximações sobre a transdisciplinaridade: algumas linhas históricas, fundamentos e pricípios aplicados ao trabalho de equipe. Rev. Psciologia: Reflexão e Crítica, Porto Alegre, v.16 , n.3 , p.483-490, 2003.

LOCH, Juliana Maria; STEIN, Lucilaine Regina. Tipos de conhecimento e habilidades de estudantes do curso técnico em estética sobre imagem corporal.  2012. 27f. Artigo (Especialização Latu Senso em Estética Facial e Corporal) - Universidade do Vale do Itajaí, Florianópolis, 2012.

RUSSO, Renata. Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Rev. Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, p. 80-90, jan.- jun. 2005.


Fonte:
Imagem: Google Imagens

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Estética e Imagem corporal – Parte II


   Muitos são os fatores que podem influenciar a Imagem corporal. Desde o período de vida em que nos encontramos, idade, passando pelas influências sociais, mídia, diferença de gêneros, cultura em que estamos inseridos até poder aquisitivo. Tudo o que envolve nossas vidas acaba por influenciar a maneira como nos enxergamos, como achamos que os outros nos enxergam e como gostaríamos de nos enxergar. (LOCH; STEIN, 2012).
   Campagna e Souza (2006) elucidam que mudanças corporais acarretam em distorções na autoimagem e cada época possui seus padrões de beleza, mas provavelmente eles nunca tenham sido tão inflexíveis quanto hoje em dia, promovendo grande afastamento entre o corpo vivido e o idealizado, empobrecendo psiquicamente os sujeitos.
   Para comprovar essa idéia, basta conversar com algumas mulheres (de diferentes faixas etárias). Grande parte delas irá relatar que seu modelo de beleza é ter a boca de determinada atriz, o corpo de tal modelo, gostaria de ter o cabelo daquela cantora – montando um frankstein utópico, que acaba por gerar frustração e uma Imagem corporal negativa.
   Passando da adolescência para a vida adulta, as mulheres, de forma geral, possuem várias preocupações com relação a sua Imagem corporal. Tem pensamentos sobre emagrecer mais, pois tem medo de ganhar peso. A insatisfação com a forma física e a visão distorcida do tamanho do seu corpo podem motivar alguns dos comportamentos distorcidos como uso de diuréticos e laxantes, indução de vômito, jejum, etc). Da mesma forma, podem adotar atitudes negativas em relação ao seu corpo, como ter vergonha do mesmo, excluindo certar roupas e evitar ir à piscina ou à praia para evitar usar roupas de banho. (RUSSO, 2005).
   Para Tiggermann, Weinshenker, Thomson, Smolak e Levine, Dolan, Birtchnell e Lacey (citados por Damasceno et al, 2006) a Imagem corporal negativa está relacionada a depressão, ansiedade, baixa autoestima e tendências obsessivas compulsivas com relação a exercícios físicos e alimentação.
   É a partir dessa visão que essas doenças progridem e se agravam, prejudicando fisicamente os acometidos. Porém, a distorção da imagem pode estar ligada à Depressão, Ansiedade e ao Transtorno Obsessivo Compulsivo – TOC, gerando (ou não) quadros de Fobia social.
   Todos os aspectos em nossa vida acabam por influenciar nossa Imagem corporal; em maior ou menor grau, dependendo de nossa história de vida, de nossas preferências, de nossos traumas entre outros.
   Algumas teorias subjetivas desenvolvimentistas dão ênfase a eventos ocorridos na infância e adolescência como desencadeantes de distúrbios na Imagem corporal. (FERREIRA; LEITE, 2005). Dessa forma, o período da puberdade, é um fator importante na formação da Imagem corporal, uma vez que ocorrem mudanças físicas e psicológicas.
   Campagna e Souza (2006) relatam sobre uma pesquisa da Divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas, que comprova que 80% das meninas não gostam de sua aparência e 50% buscam dietas porque se acham gordas.
   A cultura também influencia de maneira diferente meninos e meninas. Enquanto as garotas são estimuladas a praticarem atividade física pela estética, os garotos são estimulados a praticar esportes pela parte lúdica. (CONTI; GAMBARDELLA; FRUTUOSO, 2005). Essa diferença social provavelmente afeta os padrões pessoais estético de ambos os sexos.
   De acordo com Stice (2002) citado por Saikali et al (2004), há evidências de que a mídia promove distúrbios alimentares e de Imagem corporal. Analisando modelos e atrizes, vêm se observando que as mesmas estão mais magras se comparadas à década passada. Indivíduos com transtornos alimentares se sentem pressionados pela mídia para serem esbeltos e acabam utilizando métodos não-saudáveis de controle de peso, aprendidos nos próprios meios de comunicação.
   As diferenças de classes sociais também influenciam nossa Imagem corporal. Enquanto mulheres da classe média/alta têm dinheiro para investir em academia, nutricionista, cremes, tratamentos estéticos, SPA’s; as de classes menos favorecidas cuidam do seu corpo levantando sacos de feijão ou descendo algumas paradas antes do ponto para chegar ao trabalho. (NOVAES, 2011 apud ROCHA, 2011).
   Em um estudo realizado por Parnell et al. (citado por DAMASCENO et al, 2006), verificando o ideal corporal de mulheres brancas e negras através de silhuetas, as mulheres brancas ansiavam uma silhueta menor, enquanto as negras aprovavam uma maior. O que nos faz pensar que a cultura em que essas mulheres estão inseridas influi no padrão de beleza que seguem.
   Da mesma forma que esses fatores podem influenciar positivamente o indivíduo a se cuidar, através de hábitos de vida saudáveis, também se mal interpretados, podem gerar grande sofrimento, com a possibilidade de desencadear alguma patologia relacionada à alteração de Imagem corporal. (LOCH; STEIN, 2012).

   Segunda-feira tem a última parte do assunto!


Referências

CAMPAGNA, Viviane Namur; SOUZA, Audrey Setton Lopes. Corpo e imagem corporal no início da adolescência feminina. Boletim de Psicologia, São Paulo, v.56, n.124, p.9-35. [s.d], 2006.

CONTI, Maria A.; GAMBARDELLA, Ana M. D.  e  FRUTUOSO, Maria F. P. Insatisfação com a imagem corporal em adolescentes e sua relação com a maturação sexual. Rev. bras. crescimento desenvolv. hum. [online]. São Paulo, v.15, n.2, p.36-44, ago. 2005.

DAMASCENO, V .O. et al.  Imagem corporal e corpo ideal. Rev. bras. Ciência e Movimento. [s.l] v. 14, n.2, p. 81-94, 2006.

FERREIRA, Maria Cristina;  LEITE, Neíse Gonçalves de Magalhães. Adaptação e validação de um instrumento de avaliação da satisfação com a imagem corporal. Aval. psicol. [online], Rio de Janeiro, v.1, n.2, p. 141-149, nov.2002.

LOCH, Juliana Maria; STEIN, Lucilaine Regina. Tipos de conhecimento e habilidades de estudantes do curso técnico em estética sobre imagem corporal.  2012. 27f. Artigo (Especialização Latu Senso em Estética Facial e Corporal) - Universidade do Vale do Itajaí, Florianópolis, 2012.

ROCHA, Patrícia. Corpos em contraste. Diário Catarinense, Florianópolis, 6 mar. 2011. Donna, p. 12-13.

RUSSO, Renata. Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Rev. Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, p. 80-90, jan.- jun. 2005.

SAIKALI, Carolina Jabur. et al.  Imagem corporal nos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. [online], São Paulo, v.31, n.4, p. 164-166, 2004.


Fonte:
Imagem: Google Imagens

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Estética e Imagem corporal – Parte I


   Durante a minha especialização em Estética Facial e Corporal pensei que teríamos alguma disciplina falando sobre Imagem Corporal. Mas com o transcorrer do curso, descobri que não só não teríamos a disciplina, como a maioria das pessoas que trabalham com estética não sabe ou nunca se perguntou como é a Imagem Corporal de seus clientes (e a sua própria Imagem Corporal).
   Motivada por isso, e por descobrir a ausência de disciplinas (em cursos livres, técnicos, tecnólogos e especializações) em que sejam discutidos esses temas sobre as alterações de Imagem Corporal e suas implicações no trabalho da esteticista, realizei uma pesquisa com as minhas alunas (hoje colegas de profissão) para descobrir se elas sabem o que é Imagem corporal, o que pode influenciá-la (positiva ou negativamente), formas de mensurá-la, profissionais habilitados para ajudar pessoas com alteração de imagem corporal, etc.
    Esse é um breve resumo do que foi abordado nessa pesquisa e espero que seja uma forma de pensarmos e refletirmos sobre como a nossa imagem corporal pode modificar a nossa vida, de inúmeras formas.

   A imagem corporal é a representação mental de nosso próprio corpo, a maneira como ele é percebido pelo indivíduo. Abrange o que percebemos através de nossos sentidos, nossas ideias e sentimentos referentes ao próprio corpo, muitas vezes de forma inconsciente. (SCHILDER, 1999 apud CAMPAGNA; SOUZA, 2006).
   Segundo Thompson et al (1999) citado por Damasceno et al (2006, p.82) “a utilização do termo imagem corporal seria uma maneira de padronizar os diferentes componentes que integram a imagem corporal”. São eles: percepção do tamanho do corpo, satisfação com o peso, avaliação da aparência, satisfação corporal, estima corporal, orientação da aparência, padrão de corpo, corpo ideal, percepção corporal, esquema corporal, desordem de imagem corporal, distorção corporal, entre outras.
   A Imagem corporal acaba sendo construída e modificada a partir de diversas relações que mantemos com vários aspectos de nossa vida; pode ser alterada por nossos sentimentos, nossa visão, nossa cinestesia/propiocepção entre outros.
   Nossa Imagem corporal sofre modificações ao longo de nossas vidas, em cada fase nos deparamos com uma ou mais imagens do nosso corpo. Na infância, nos vemos de um jeito, na adolescência passamos a nos encarar de outra forma. Com o amadurecimento, modificamos novamente a forma como nos enxergamos. As mulheres sofrem uma modificação a mais que os homens, no período em que são gestantes.
   Há sete afirmações que melhor englobam o conceito de Imagem corporal, de acordo com Cash e Pruzinsky (1990) citados por Barros (2005). São elas:
   1 – A Imagem corporal é subjetiva. Diz respeito aos pensamentos, sentimentos e percepções sobre o corpo e suas experiências;
   2 – As mudanças na Imagem corporal podem ocorrer em várias dimensões, ou seja, é multifacetada;
   3 – A maneira como vivenciamos e percebemos nossos corpos diz muito sobre como percebemos a nós mesmos. Assim, as experiências da Imagem corporal são envoltas por sentimentos sobre nós mesmos;
   4 – A Imagem corporal é determinada socialmente e suas influências perpetuam-se durante toda a vida;
   5 – Nossa experiência corporal pode sofrer constante mudança, ou seja, não é estática nem fixa;
 6 – O modo como pensamos e sentimos nosso corpo influencia como percebemos o mundo, sugestionando-nos a ver o que queremos ver;
   7 – A Imagem corporal influencia o comportamento, principalmente as relações interpessoais.
   
   Para Thompson (1996) citado por Saikali et al (2004), há três componentes envolvidos com o conceito de Imagem corporal:
   - Subjetivo: diz respeito aos aspectos como nível de ansiedade e preocupação associada à aparência e grau de satisfação com a mesma;
   - Perceptivo: está relacionado com a estimativa do peso e tamanho corporal e a precisão da percepção da própria aparência física;
  - Comportamental: engloba as situações que a pessoa evita por sentir desconforto com relação a sua Imagem corporal.

   “Ter uma boa aparência não significa ter uma imagem corporal positiva. A imagem corporal é, na verdade, um estado de espírito”. (CASTILHO, 2001, p.29).
   A Imagem corporal é a nossa totalidade como seres humanos. É conseguirmos nos olhar de maneira interna e externa ao mesmo tempo, entendendo que cada esfera de nossa vida provoca modificações e é transformada também pelas outras. Nada na nossa vida/corpo é isolado, tudo se relaciona e provoca transformações. (LOCH; STEIN, 2012).
   Para Serra (2009) a ilusão das imagens utilizadas em televisão, revistas e outras mídias em geral, faz com que as pessoas se comparem umas com as outras, o que acaba levando a padronização de modelos de corpo, gerando, dessa forma, uma maior preocupação com a pele e com o corpo.
  Atualmente o aumento da insatisfação com o corpo e o excesso de preocupação com a aparência, principalmente com o peso, tem sido abordado em muitos estudos científicos. Entende-se que a preocupação com o peso é resultado da internalização de padrões irreais de beleza, e que muitas vezes, pode predispor as garotas adolescentes e mulheres jovens à depressão. (CAMPAGNA; SOUZA, 2006).
   “Estudos científicos mostram que quanto mais as pessoas investem na aparência, mais vulneráveis se tornam a uma imagem corporal negativa e aos incômodos a ela relacionados”. (CASTILHO, 2001, p.29).
Ao mesmo tempo, investigações epidemiológicas vêm mostrando um considerável aumento, nos últimos tempos, de pessoas acometidas por Transtornos Dismórficos Corporais em que é crescente a insatisfação corporal. (BALLONE, 2004 apud RUSSO, 2005).
   Esse aumento das patologias relacionadas a uma Imagem Corporal distorcida fica evidente quando fazemos uma busca nos veículos da mídia sobre esses assuntos. É cada vez mais comum abordarem essas patologias em revistas, filmes, novelas, livros, artigos científicos, entre outros.
   Para quem se interessar, assista ao filme “Cisne Negro” (esse filme é sensacional e podemos fazer conexões com várias coisas, mas aqui foco mais no aspecto da Imagem Corporal, que é o assunto desse post). A personagem parece apresentar Anorexia (que é um dos transtornos ligados a imagem corporal) tendo um tipo de relacionamento com o seu corpo, ao mesmo tempo que quando entra em contato com a sua sexualidade ela se vê de uma forma completamente diferente e começa a dar vazão ao seu lado B (o cisne negro). Apresenta também uma busca obsessiva pela perfeição que também está atrelada aos distúrbios dismórficos corporais.
    Outro filme para refletirmos é “Nunca é tarde para amar”, ele poderia ser encarado como simplesmente um filme de comédia romântica, mas se você estiver atento pode pensar a respeito da estética e idade. Quantas vezes já pensamos que precisamos melhorar nosso corpo/face porque a idade está “avançando”, através da nossa alimentação, exercício físico, cirurgia plástica, etc.. e muitas vezes nem queremos, mas a "sociedade" nos impõe...
   Na contramão, temos uma campanha da Dove intitulada “Real Beleza” (umas das imagens da campanha está no início do post), em que aparecem mulheres de diversos biótipos, tipos e cores de pele e cabelos, com manchas, com rugas, com “pneuzinho”... enfim, múltiplas belezas diferentes e belezas reais, sem a utilização de photoshop.

   O assunto é extenso, então amanhã tem a continuação do post...


Referências

BARROS, Daniela Dias. Imagem corporal: a descoberta de si mesmo. Rev. História, Ciências, Saúde, Manguinhos, SP, v. 12, n. 2, p. 547-54, maio - ago. 2005.

CAMPAGNA, Viviane Namur; SOUZA, Audrey Setton Lopes. Corpo e imagem corporal no início da adolescência feminina. Boletim de Psicologia, São Paulo, v.56, n.124, p.9-35. [s.d], 2006.

CASTILHO, Simone Mancini.  A imagem corporal.   Santo André, SP: Ed. ESETec, 2001. 96 p.

DAMASCENO, V .O. et al.  Imagem corporal e corpo ideal. Rev. bras. Ciência e Movimento. [s.l] v. 14, n.2, p. 81-94, 2006.

LOCH, Juliana Maria; STEIN, Lucilaine Regina. Tipos de conhecimento e habilidades de estudantes do curso técnico em estética sobre imagem corporal.  2012. 27f. Artigo (Especialização Latu Senso em Estética Facial e Corporal) - Universidade do Vale do Itajaí, Florianópolis, 2012.

RUSSO, Renata. Imagem corporal: construção através da cultura do belo. Rev. Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, v.5, n.6, p. 80-90, jan.- jun. 2005.

SAIKALI, Carolina Jabur. et al.  Imagem corporal nos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. [online], São Paulo, v.31, n.4, p. 164-166, 2004.

SERRA, Andréa. Transtorno dismórfico corporal . In: KEDE, Maria Paulina Villarejo; SABATOVICH, Oleg.  Dermatologia estética.   2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Ed. Atheneu, 2009. p. 495-500.

Fonte:
Imagem: Google Imagens